Locação de turnos em Odontologia.

Ou você tem uma estratégia própria, ou então é parte da estratégia de alguém.” Alvin tofler

Pelas minhas contas ao final de 2016 deveremos superar o total de 300.000 Dentistas no Brasil. Um quinto de todos do planeta!Um dos grandes dilemas de quem entra no mercado é definir se montará ou não seu consultório. Para os que decidem montar seus consultórios ou clínicas, ou mesmo para aqueles que já tem seu modelo de negócio rodando, uma importante missão deve ser de formar/manter uma carteira de bons clientes, além de também pensar em formatos de parcerias visando ocupar horários ou turnos ociosos.

Nossa conversa aqui é sobre o formato de ocupação de horários ociosos por meio de locação de turnos. Dentistas que praticam uma correta gestão de custos em odontologia entendem que turnos parados, sem atendimento impactam no desempenho da empresa e na formação do preço dos serviços vendidos. Usando termos atuais, a Economia Colaborativa busca conectar pessoas com interesses e necessidades comuns. Na odontologia seria reunir dentistas interessados em compartilhar consultórios visando reduzir custos e aumentar a eficiência na prestação do serviço. O foco nesta proposta, é que seja vantajosa tanto papa quem oferece quanto para quem contrata o serviço. A famosa relação ganha-ganha. Na minha opinião e observação, uma excelente alternativa para recém-formados e para profissionais que dividem seu tempo entre consultório e outras atividades.

Mas, como tem sido praticado no mercado a locação de turnos?

De forma prática temos a figura de um Dentista dono do negócio que decide disponibilizar turnos para locação e define um preço para uso do horário acordado. A locação de turnos em odontologia  é uma espécie de hospedagem profissional. Devem-se definir e escrever quais as regras que deverão ser cumpridas

.Alguns pontos a serem considerados são:

– O que está incluído nesta locação?

– Será compartilhado de material de consumo. Sim, não, quais?

– Silicona de adição e rolinho de algodão estão incluídos no acordo?

– Serão compartilhadas de pontas de alta rotação. Sim ou não?

– Que percepção meu cliente terá do meu local de trabalho?

– Que facilidades proporcionarei ao meu cliente? Internet, estacionamento, café, revistas novas, etc.

– Como são tratados os encaminhamentos de pacientes?

– Posso atender todos convênios aqui?

– Posso agendar vinte pacientes num turno?

– Existe algum limite de agendamento por turno?

– Se precisar ficar depois do horário acertado, como fica?

– Posso atender qualquer especialidade?

– Como fica o controle de ligações telefônicas?

– Se o dia de locação cair num feriado, posso compensar num outro dia?

– Se eu tirar férias de 30 dias eu pagarei a mensalidade da locação?

– Se forem locados mais turnos por semana cai o preço da locação?

– Como será o critério de reajuste da locação?

– Posso trazer um outro profissional para atender um cliente meu no meu horário?

– Como fica se algum equipamento necessitar conserto?

– Terá alguma cota extra para pagar 13º e férias do RH?

– No caso de interrompermos a locação, como fica o pagamento?

– Se entendi bem, é como se fosse uma locação normal, ou seja, 12 pagamentos por ano?

Procurem abordar estes tópicos antes de firmarem esta parceria. A intenção positiva neste processo firmar relações e parcerias duradouras.

Um outro ponto na escolha do ponto para locação e na locação de turnos em odontologia é o preço praticado por turno. No mercado de locação, o preço está bastante favorável para o locatário. A precificação de turnos deve ser bem calculada para que o locador possa pelo bancar os custos do horário disponibilizado. Isso não ocorre na maioria dos casos! Assim como calcular a preço de uma hora clínica, o cálculo de preço de turnos também é um nó crítico para os dentistas. Uma dica poderosa é calcular todos os custos referentes a locação de forma anual para que custos sazonais como IPTU, 13º e férias de RH, manutenções preventivas, etc não sejam desconsiderados na conta. Isso evitará “tensas” cotas extras. Trabalhe nestes cálculos fazendo previsão e estimativas de custos. Os principais custos fixos a serem considerados são os prediais e com o RH. Para otimizar seu precioso tempo, calcule estes custos arredondando os valores listados. Deve-se considerar também um valor a ser rateado referente a uma taxa de administração, caso contrário será como se fosse um simples rateio de contas. Serve para remunerar o responsável pela administração, organização, logística e supervisão do local.

Falando de preço e aplicando o pensamento estratégico em odontologia, sugiro que os locatários ao procurarem seus pontos comerciais comparem os preços da hora de locação de cada ponto com a percepção que o local poderá proporcionar ao seu futuro cliente. Em alguns casos, pagar R$10,00 ou R$20,00 por uma hora de locação pode ser visto como um investimento no negócio uma vez que a melhor percepção agregará mais valor ao seu serviço. Esta opção permitirá você cobrar melhor pelo seu trabalho. Se o locatário pensar no que deixou de gastar por não ter montado de cara um consultório próprio já justifica locar um ponto melhor, mesmo que com um custo maior.Comparar os custos de montar e manter com os custos de locação tem feito muitos profissionais optarem pela locação. Este cenário para muitos é na realidade um movimento estratégico de carreira.

Por fim,  na locação de turnos em odontologia, procure ter uma boa equipe no atendimento para que você possa delegar a assistência e atenção necessárias ao seu locatário, de certa forma um cliente seu. Afinal de contas uma cadeira odontológica não deve faturar apenas com a presença física de seu dono. Faz sentido para você?

 

 

Flávio Ribeiro

Coach Financeiro e Consultor PenseFar; Graduado em Odontologia; Mestre em Gestão e Economia da Saúde na UFPE; Master Coach e Analista Comportamental pelo Instituto Brasileiro de Coaching; MBA Executivo Gerência de Saúde pela ISAE FGV; MBA Gestão de Serviços de Saúde pela UFF- RJ; Speaker IdentAcademy.

http://www.pensefar.com.br/