Fazer precificação em odontologia é um grande desafio para dentistas e gestores. Costumo dizer que o dentista investe muito em formação técnica e busca, cada vez mais, ser melhor dentro do cubo intrabucal, o que certamente faz parte de uma construção sólida de carreira, e isso não devemos discutir, mas existe um momento importante dentro de um tratamento odontológico que diz respeito a responder uma pergunta ainda muito temerosa por muitos dentistas:

– Dr(a), quanto vai custar meu tratamento?

Este é para mim um momento tão importante, ou permitam-me a ousadia, até mais importante que a própria execução do plano de tratamento definido. Quando digo mais importante é com total intenção positiva de provocar uma reflexão na condução de um modelo de negócio e de uma carreira de forma assertiva. Saber quanto custa um serviço e formar o preço é de extrema importância para poder saber onde seu negócio poderá te levar.

Em muitos casos o dentista justifica que o custo de um serviço se torna “caro” por conta dos materiais utilizados e isso pode se justificar quando se pensa em contas pagas a fornecedores de materiais de consumo e demais insumos necessários a realização do serviço.

Num processo de precificação em odontologia, o método de custeio mais indicado é o de custeio variável que basicamente divide os componentes de uma precificação em dois grupos: custos fixos e custos variáveis.

Custos variáveis, por definição, são os custos que ocorrem de forma diretamente proporcional a produção de um serviço, ou seja, quanto mais se faz serviços, maiores os custos para empresa. Podemos citar como exemplos clássicos e didáticos de custos variáveis as luvas descartáveis de procedimentos e os implantes dentários. Quanto mais clientes você atende, quanto mais implantes você faz, maiores são os custos em seu consultório. E aí vem uma pergunta importante:

– Quer dizer que para precificar um serviço é necessário saber o custo unitário de todos insumos e materiais usados em meu cliente?

A resposta facilitadora no processo de precificação, e que nega o conceito clássico de custo variável, é depende. Existe uma diferença importante quando comparamos o custo unitário de um par de luvas e de um implante. Para isso uso o termo, no caso de implantes, que é material de consumo de custo unitário diferenciado. E isso faz muita diferença e facilita muito o processo de precificação.

Enquanto um par de luvas pode custar em média R$ 0,40 centavos, um implante pode custar em média R$ 180,00. Os custos citados podem oscilar conforme marca, fabricante, etc, mas aqui o objetivo é sinalizar seus impactos na precificação. É muito mais estratégico pensar numa compra de implantes do que numa caixa de luvas. Para isso a sugestão é que o dentista calcule seu gasto médio mensal da dental com de materiais de baixo custo unitário (luvas, toucas, sugadores, descartáveis básicos, pastas profiláticas, gorros, etc) e considere-os como sendo um custo fixo em seu consultório. Seria como se fosse o mínimo necessário para se manter um estoque para a média de serviços realizados no consultório. Isso evita ter que se calcular unitariamente o custo de diversos materiais de baixo custo unitário e ter que demandar um tempo precioso na gestão do negócio. Portanto, podemos concluir que para procedimentos de baixo custo unitário de materiais como profilaxias, exodontias simples, raspagens, restaurações estéticas (com resinas de custos menores), consultas iniciais teriam “em média” um mesmo custo de matérias desde que tenham sido incluídos na conta mensal de dental definida como um custo fixo do consultório.

Por outro lado, implantes, componentes protéticos, próteses diversas, toxinas botulínicas, materiais de enxerto, limas de técnicas rotatória, silicone de adição, dentre outros devem ser considerados de forma isolada e diferenciada na precificação.

Isso certamente facilita muito a vida do dentista uma vez que um grande número de materiais deixaria de ser calculado unitariamente, mas sim estimados em função do consumo médio da clínica e incluídos num planejamento anual de custos.

Uma forma de você definir quais materiais serão colocados na conta fixa da dental ou de forma isolada é aplicar o pensamento estratégico baseado em percentual. Como assim? Quanto um par de luvas, ou um implante representam em percentual no seu preço de venda do procedimento? Fica claro que o impacto de um par de luvas representa menos, bem menos que 1% do preço enquanto um implante certamente tem uma representação em percentual diferenciada no preço final do serviço.

É muito importante entender que o custo mais importante está relacionado no tempo que você dispensará para entrega do serviço para seu cliente e que no caso de materiais de consumo a visão clássica do conceito custo variável pode ser adaptada para poder te dar mais agilidade e segurança na precificação de seu serviço. Faça uma lista dos materiais que você utiliza em sua rotina e que representam maiores percentuais em seu preço e invista um tempo em fazer boas negociações com seus fornecedores. Afinal de contas, fazendo uma última conta antes de finalizarmos este texto, qual o impacto no seu preço quando você no lugar de comprar uma caixa de luvas de R$20,00 (R$0,40 unitário) comprar a mesma caixa por R$16,00 (R$0,32). Faz sentido para você?

Convido você a ler o e-book Gestão de Custos em Odontologia: utilizando a Matriz de Pensamento Estratégico, que fizemos em parceria com a Dental Cremer.

Abraço e uma ótima leitura.

Flávio Ribeiro